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  Dia Mundial do Teatro com várias representações teatrais
Público aderiu em grande número ao diferentes espectáculos

2-4-2008

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O Pelouro da Cultura, entre os dias 27 a 30 de Marco, comemorou o no Dia Mundial do Teatro no auditório da Biblioteca Municipal de Barcelos, com a realização de vários espectáculos, com entrada gratuita. O público aderiu em grande número, engrandecendo o evento com a sua presença.

No dia 27, as peças “O Empresário em Suores Frios” e “As Astúcias de Zanguizarra”, magnificamente representadas pelo TPC – Teatro Popular de Carapeços – foi uma excelente entrada. No dia seguinte, pela manhã, foi a vez de “Tristão e Alegrão”, apresentado por “A Capoeira” – Companhia de Teatro de Barcelos, alegrar os mais pequenos. Pela noite subiu a palco a peça “A Selva da Vida” representada pelo grupo de teatro da Associação “Amigos do Pato”.
No sábado o “Auto da Barca do Inferno”, de Gil Vicente foi representado por “A Capoeira” – Companhia de Teatro de Barcelos. Este Auto, um dos mais populares de Gil Vicente e um dos mais representados em Portugal, constitui um marco de excepcional grandeza não só na história do teatro português, mas também no quadro do desenvolvimento mental da sociedade pró-moderna, pois que pela primeira vez em Portugal se vertia para o palco o imaginário romanesco e poético sobre o Além que circulava na literatura da Europa do seu tempo.
Finalmente, no domingo, pela tarde, as comédias “Marido Precisa-se” e “A Tesoura de um Barbeiro”, representadas pelo grupo de teatro Lírios do Neiva, de Durrães fecharam com chave de ouro o evento. Além destes espectáculos, que foram levados à cena por quatro grupos de teatro barcelenses e por um grupo infantil de Braga, o público ainda pode visitar a exposição “O que é o teatro?”, patente na Biblioteca Municipal, entre 27 de Março e 19 de Abril e que, futuramente irá pelas diversas escolas e associações do concelho.
O programa, que se comemorava também a nível nacional, em torno do tema “Teatro para Todos”, iniciou-se no dia 27 de Março, Dia Mundial do Teatro, com leitura animada do conto ”Os Ovos Misteriosos”, de Luísa Ducla Soares. A apresentação esteve a cargo do Tin.Bra – Grupo de Teatro Infantil de Braga.

Testemunhos

Fernando Pinheiro
“Vejo o teatro como sempre o vi. Como a primeira imagem que retenho das peças que assisti no antiquíssimo salão de S. Romão da Ucha, que já não existe, que deu lugar a um moderno Centro Social da Paróquia. Desde menino, ao colo de minha mãe, ia assistir a peças representadas lá. Para mim era sempre motivo de grande alegria, de sonho, fantasia, onde eu tinha a oportunidade de ver a verdadeira alma humana a brilhar em todos os seus contornos maravilhosos. Hoje que tenho já 45 anos de teatro, continuo a fazer teatro para me debruçar sobre a maravilhosa alma com que o criador dotou a humanidade”.

Tiago Ferreira
“O teatro, hoje em dia, vejo-o como uma arte um pouco à parte, que exige das pessoas bastante esforço, dedicação. E que nem sempre o público comparece para assistir. Para nós, que andamos por gosto e amamos o teatro amador é frustrante ver salas vazias. Quando vemos uma sala cheia, como hoje, ficamos muito contentes. Sente-se calor, apoio. Neste momento “A Capoeira” tem uma grande dificuldade para desenvolver os seus projectos. Tem carência de actores, não temos um lugar específico para ensaiar, temos que recorrer às garagens, casas das pessoas. Temos muitas dificuldades para desenvolver novos projectos. Todas as companhias de teatro amador deviam ser mais apoiadas e acarinhadas pelas entidades competentes”.

Vítor Pinho
“O teatro está na alma dos barcelenses. É uma actividade artística muito antiga que os barcelenses gostam muito e que representa muito da actividade cultural da nossa terra, porque temos grupos de teatro amador fantásticos que envolvem muita gente, sobretudo a juventude que é encaminhada para projectos culturais que o município através do Pelouro da Cultura tem apoiado ao longo dos tempos. De facto estamos satisfeitos porque tivemos sempre casa cheia. Temos trazido, de facto, uma forma diferente de ver a vida, de ver a arte e portanto os barcelenses tem dito sim e tem aparecido, o que significa que gostam de teatro. É de facto um reconhecimento pelo trabalho que os grupos de teatro amador têm feito. Estas palmas que hoje se ouviram, as de ontem, anteontem e as de amanhã, dão-nos uma grande satisfação e obrigam-nos a continuar a apoiar uma arte tão antiga em Portugal, que tem muita tradição em Barcelos. Por isso vamos continuar a apoiá-la”.

O que é o teatro?

Os barcelenses, que no passado fim-de-semana entraram na Biblioteca Municipal de Barcelos, deparavam-se com uma exposição de painéis com uma informação rica e gratificante sobre vários aspectos relacionados com esta antiquíssima arte da humanidade que é o teatro.
Mesmo que o espaço se tornasse um pouco restrito para tamanho património, o leitor atento poderia perfeitamente extrair da exposição que engrandeceu o Dia Mundial de Teatro que se celebrou no passado 27 de Março, muita informação sobre o que é o Teatro. Nesta exposição, os organizadores “procuramos encontrar um modo rigoroso de falar de uma arte que se caracteriza pela confluência de diversas linguagens, pela efemeridade das suas práticas e pela repercussão social e cultural que possui”.
Nos diversos painéis, colocados lado a lado, os visitantes podiam extrair muita informação sobre a temática relacionada com o Teatro. Em primeiro lugar, a palavra provém do grego Theatron que significa “ o lugar de onde se vê” e que há mais de mil e quinhentos anos se faz a história desta arte. Responder à pergunta sobre o que é o teatro, implica responder a muitas outras “quem o faz e porquê? Onde é feito? Quem o vê? Quem cria condições para que exista? Como é feito? De que modo se relaciona com outras artes? Que lugares ocupa na vida de uma sociedade?”

> David Macedo

 
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