O acordo vem dar continuidade ao trabalho iniciado por estas entidades no ano passado e que, de acordo com o balanço feito no domingo, no auditório da Biblioteca Municipal, teve óptimos resultados. À semelhança do que foi acordado em 2004, este protocolo tem como principal objectivo a protecção do rio e dos seus afluentes. O presidente da Câmara Municipal, Fernando Reis deu a entender que é necessário arranjar mais meios financeiros para que os objectivos do acordo sejam atingidos o mais rápido possível. “Se não tivesse sido o envolvimento das Águas do Cávado e a celebração deste protocolo, teríamos que ter arranjado outra solução que passaria sempre pela colaboração dos bombeiros, porque conhecem o rio e estão preparado com meios técnicos para estes trabalhos”, adiantou Fernando Reis. O autarca defendeu a ideia de que “é necessária uma política de preservação ambiental global e sustentada”, mas salientou que a preservação do meio ambiente depende de todos e não apenas do poder político. “Todos somos responsáveis pela preservação do nosso Planeta, pelo que é necessária a colaboração e o empenho de todos”, referiu o edil, apelando ao interesse da sociedade na preservação daquela que é a maior riqueza do concelho — o rio Cávado. Fernando Reis afirmou-se “orgulhoso” do trabalho desenvolvido pelo Gabinete do Ambiente da Câmara Municipal, quer no plano de combate aos focos poluidores, através dos investimentos efectuados nas redes de saneamento e tratamento de efluentes, quer na vertente da formação e sensibilização ambientais. “Este trabalho tem procurado envolver as associações, as Juntas de Freguesia, as corporações dos bombeiros e começa agora a dar os seus frutos”, frisou o autarca, aludindo às acções efectuadas pelo Gabinete do Ambiente, cujo coordenador, o biólogo Abel Martins, fez questão de enunciar e enquadrar, no âmbito de actuação das políticas ambientais da autarquia. O acordo assinado no passado domingo prevê que a limpeza do rio e das suas margens fique a cargo das corporações de bombeiros de Barcelos e Barcelinhos. Os mergulhadores dos bombeiros de Barcelos vão intervir a montante do Açude de Santo António de Vessadas e a corporação de Barcelinhos responsabiliza-se pela limpeza e vigilância da área a jusante do referido Açude.
Identificação dos focos de poluição
A acção dos mergulhadores das duas corporações incidirá na identificação, classificação e registo dos focos de poluição e na remoção do leito do rio das árvores arrastadas pelas margens e todo o tipo de resíduos de grandes dimensões (os chamados “monstros domésticos”). Cabe ainda aos bombeiros a tarefa de remover os materiais presos na vegetação das margens e cartografar o fundo do rio para futura monitorização da deslocação de inertes. De acordo com o protocolo, a Águas do Cávado compromete-se a contribuir com 20 mil euros, a distribuir em partes iguais pelas duas corporações de bombeiros, para aquisição de equipamento e para cobrir despesas necessárias à acção dos soldados da paz. A empresa compromete-se ainda a disponibilizar os seus laboratórios e técnicos para o controlo da qualidade da água do rio, sempre que seja necessário. Em relação à Câmara de Barcelos, o protocolo estabelece que terá de disponibilizar a cartografia necessária à identificação dos focos de poluição, os recursos humanos e materiais necessários às acções complementares de remoção e deposição de resíduos e os técnicos para acompanhamento das acções de remoção de vegetação infestante. O Município terá ainda de dar seguimento a todas as acções de fiscalização decorrentes deste protocolo e facultar a logística necessária ao envolvimento de jovens e associações em campanhas de sensibilização ambiental associadas às acções de fiscalização e monitorização do rio Cávado e seus afluentes. Também competirá à Câmara fazer a divulgação das acções decorrentes desta iniciativa. A cerimónia foi também aproveitada para comunicar os resultados do protocolo de fiscalização e limpeza do Rio Cávado, do ano que agora terminou. O mergulhador dos Bombeiros de Barcelos responsável pela acção desta corporação, Armando Carvalho, revelando grande experiência nas múltiplas acções desenvolvidas, explicou em que consistiu o grosso do trabalho efectuado no rio, salientando duas vertentes: a limpeza da praga dos jacintos de água — uma espécie de planta que se alastrou pelas águas do rio Cávado, chegando a cobrir grandes áreas; e a limpeza dos “monstros”, toda a espécie de objectos que as pessoas atiram ou largam nas águas do Cávado.
Praga de jacintos de água já foi controlada
Com o auxílio de um conjunto vasto de fotografias, Armando Carvalho tentou demonstrar a dificuldade do trabalho de retirada dos jacintos, que foi durante muito tempo o alvo da actuação dos bombeiros. Só desta infestante, os soldados da paz conseguiram retirar 125 camiões, o equivalente a mil metros cúbicos de matéria orgânica. Conforme informou Abel Martins, os “indesejados” jacintos, depois de sofrerem um processo de compostagem, têm servido como fertilizante para a agricultura. O responsável do Gabinete de Ambiente da autarquia adiantou também que a praga está controlada. No entanto, “vamos vigiar o rio durante todo o Verão porque o aquecimento da água é propício à germinação desta planta”, avisou Abel Martins. Armando Carvalho mostrou também muitos dos objectos que, ao longo deste período foram sendo retirados do rio. Caixas de correio, motociclos, bidões, baterias, restos de materiais da construção civil, televisões, frigoríficos, animais mortos, foram alguns dos objectos mais encontrados pelos mergulhadores dos bombeiros. Da parte dos Bombeiros de Barcelinhos, o comandante Licínio Santos também se mostrou satisfeito com o trabalho desenvolvido, tendo, inclusive, anunciado que está em fase de estudo a possibilidade de se efectuar o transvase de água para zonas mais paradas e de menor caudal, de modo a provocar uma melhor oxigenação da água e assim combater a praga dos jacintos. O trabalho dos Bombeiros também passa por algumas alegrias: por exemplo, foram detectadas colónias de lontras, assim como uma ninhada de patos bravos, o que é motivador para prosseguir com o trabalho que vem sendo efectuado. Esta sessão foi também aproveitada para que a Associação de Melhoramentos de Macieira de Rates, pela voz de José Padrão, mostrasse o trabalho efectuado, no âmbito do programa municipal BIA, Brigadas de Intervenção Ambiental. Do protocolo agora renovado estabelecido resulta, entre outros pontos, que todas as partes envolvidas aceitam que “a preservação do Rio Cávado e seus afluentes é imprescindível, nomeadamente para o concelho de Barcelos e para todos os Barcelenses”, e reconhecem que “a salvaguarda do interesse público relativo à preservação do rio e seus afluentes, deve ser assegurada por todos com toda a clareza e transparência”.