“Câmara não tem que ser contra ou a favor. Tem de cumprir a lei” 3-3-2010
A exploração de caulino voltou a ser tema de discussão no plenário municipal. Miguel Costa Gomes diz que “a Câmara não tem que ser contra ou a favor. Tem de cumprir a lei”. O presidente da Câmara Municipal vai esperar uma decisão do Supremo Tribunal em relação à exploração de caulino em Vila Seca e Milhazes e explicou que não estava ninguém para receber a população de Barqueiros depois da Marcha Lenta, porque diz ter recebido”apenas uma comunicação do Movimento Cívico de Barqueiros a comunicar a marcha lenta (…) para entrega de um dossier”, mas que “ninguém” lhe terá pedido para estar presente, ou algum vereador, “nem para a Câmara estar aberta nesse dia”, concluiu em resposta às intervenções dos partidos com assento na Assembleia Municipal. O PSD foi o primeiro a abordar a questão logo na abertura da sessão, justamente na semana em que se soube da “intimação” da MIBAL à Câmara Municipal de Barcelos exigindo 11 milhões de euros de indemnização caso a autarquia continue com acções em tribunal contra exploração de caulino em Vila Seca e Milhazes. Domingos Araújo do PSD considera que perante a posição da empresa Minas de Barqueiros “exigia-se uma resposta firme a esta ousadia, provocação e tentativa de chantagem da MIBAL”. O deputado social-democrata diz que era isso que as populações e autarcas em luta estavam à espera. “Só uma posição destas podia dignificar o cargo que o senhor presidente exerce, a não ser - e essa seria mais grave - se esta fosse uma estratégia concertada entre a executivo municipal e a MIBAL, o que apesar de algumas vozes que sussurram, o PSD recusa-se a aceitar como verdade”, acrescentou exigindo uma posição política a favor ou contra a exploração. Também o Bloco de Esquerda exigiu uma posição do autarca. José Maria Cardoso disse que “é preciso que a CMB tome uma posição naquilo que considera, de forma clara e evidente, a posição correcta da autarquia, independentemente das considerações que possam exigir outros partidos”. Lamentou também que ninguém da autarquia tenha recebido as pessoas que participaram na marcha lenta contra a exploração de caulino em Barqueiros. Mário Figueiredo do PCP fala em chantagem da Mibal à qual a Câmara não pode ceder. “A chantagem é feita porque a Mibal entendeu que a Câmara tem uma posição muito frágil e incómoda em relação a estas matérias”. Espera que a autarquia “não ceda a estas pressões”, pois segundo o comunista poderá trazer dificuldades na capacidade negocial do município em questões como a “água e as parcerias público privadas”.