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  Entrevista a Paulo Pereira
Barcelense sagra-se campeão nacional de Snooker

3-3-2010

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Voz do Minho (VM) – Apesar de jogar essencialmente “pool”, como foi esta experiência de snooker inglês em que se sagra campeão?
Paulo Pereira (PP) - Para mim foi muito bom e uma experiência interessante. Dignificámos o bilhar nacional e para o Braga é mais um título que dedico a todos os colegas. A minha experiência remete-se a meter bolas e não conhecia as regras deste jogo que são diferentes. Estava sempre a fazer perguntas ao júri. Não é um jogo fácil, mas correu bem. Além disso, foi fantástico termos 12 mil pessoas a ver a prova que tem uma grande expansão com as transmissões da Eurosport.

VM – Praticamente só a televisão por cabo dá atenção a modalidades que não o futebol. Gostaria de maior atenção por parte dos órgãos de comunicação social portugueses?
PP - A Eurosport aposta muito na modalidade e há muitos adeptos a acompanharem as provas onde estão os melhores do Mundo. Em Portugal já se dá alguma atenção, mas pouca de facto. Pensa-se muito em futebol, quando se fala em desporto.

VM – Segue-se o Campeonato da Europa na Roménia. Expectativas?
PP – Serão dez dias complicados na Roménia, mas será uma boa experiência onde gostaria de ser apurado para participar depois nas “all series”, onde gostaria de ver os grandes nomes do snooker.

VM – No Campeonato Nacional que se realizou na Figueira da Foz pode dizer-se que teve sorte de principiante ou valeu mesmo a experiência de muitos anos a jogar bilhar?
PP – Valeu a experiência de meter bolas. O meu adversário já tinha jogado na Inglaterra e tinha um jogo de inteligência e técnica que eu não tinha, mas como sei meter bem as bolas, correu bem e venci.

VM – Como vão ser os próximos meses de preparação para o Europeu?
PP – Vai ser complicado. Não temos condições, mas vou dar o meu melhor. Estamos a falar de um desporto amador, porque em Portugal desporto significa futebol e faço parte dos quadros do Braga, mas o clube não tem uma mesa de snooker para treinar. É uma mesa cara que custa cerca de 7 mil euros. Já há cerca de ano e meio sugeri também ao Gil Vicente que apostasse na modalidade e adquirisse uma mesa para os jogadores do concelho praticarem, porque há aqui muitos adeptos.

VM – A esses o que pode um campeão nacional dizer como incentivo de expansão da modalidade?
PP - Queremos mudar a tendência e a mentalidade dos portugueses para melhorar os grupos amadores. Continuo a dizer que em Barcelos não existem clubes de bilhar, existe sim um associado a um café e só se joga numa variante. Em Barcelos é uma pena porque há bons jogadores, mas continua a haver falta de meios e casas. A solução é ir para Braga como eu. Sei que é uma modalidade dispendiosa, mas pode também ser explorada comercialmente, basta que acreditem no potencial existente.

VM – Grande meta a concretizar nesta modalidade?
PP – Chegar à Grande Final da World Series of Snooker, em Portimão, para aí encontrar por exemplo Ronnie O’Sullivan ou Steve Davis, grandes nomes do Snooker mundial.

> Sandra Veloso Fernandes

 
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