Munícipe paga mais pelo serviço desde 3 de Janeiro
Limpeza de fossas aumenta mais de 1800% 27-1-2010
Em Barcelos, desde 1 de Janeiro que quem necessitar dos serviços de limpeza de fossas da Águas de Barcelos tem de pagar 140 euros, quando em Dezembro pagavam apenas 9,45 euros para a primeira carga e 7,38 euros para as seguintes. Trata-se de um aumento superior a 1800% (em relação aos 7,38 euros e cerca de 1500% para os 9,45 euros) que se deve ao facto da Câmara Municipal de Barcelos ter aprovado em reunião de executivo a suspensão do protocolo com a Águas de Barcelos (AdB), S.A. que previa o auxílio nos custos da ligação dos ramais de água e saneamento, em que se insere também este serviço de limpeza das fossas àqueles que não estão servidos pela rede pública de saneamento. A deliberação foi aprovada com os votos contra do PSD em Reunião de Câmara de 21 de Dezembro e entrou em vigor a 3 de Janeiro. Na prática para os barcelenses implica um aumento 15 vezes mais em relação aos 9,45 euros exercidos em Dezembro e 19 vezes mais em relação aos 7,38 euros.
Barcelense sente-se enganada
A denúncia para o jornal A Voz do Minho foi feita por Maria Isabel Pires Fernandes, residente em Balugães. A munícipe está indignada quando confrontada com os valores cobrados pela AdB aos barcelenses. Diz que soube da alteração do preço por uma vizinha e depois foi à Águas de Barcelos onde confirmaram a informação e explicaram que o aumento se devia à posição da autarquia que desde 2006 suportava a diferença do valor cobrado antes pela edilidade e depois pela AdB e agora decidiu suspender esse acordo. Maria Isabel diz que não tem “possibilidades financeiras para pagar os 140 euros” e que lhe foi sugerido apresentar uma reclamação, que diz ter feito na AdB e na Câmara Municipal de Barcelos. Com o alerta quer, de resto, apelar aos barcelenses que façam o mesmo que ela. À espera da reforma por invalidez, a barcelense diz que o marido também está desempregado e, por isso, estão os dois a receber o rendimento mínimo, “logo não dá para pagar este serviço agora a 140 euros”. Ao mesmo tempo diz-se preocupada, pois sabe “que dantes e ainda hoje muitas pessoas fazem essas descargas para a rua e com estes preços não admira que se volte ao mesmo, porque ninguém se vai lembrar do ambiente numa hora dessas”. Ao mesmo tempo acha inadmissível que “no século XXI as pessoas não tenham ainda saneamento público, porque as águas dos poços ainda acabam contaminadas com isso”. Quer agir em conformidade com a lei ambiental, mas assume que não tem dinheiro para pagar os 140 euros para a limpeza das fossas. Por outro lado, sente-se enganada. “O senhor presidente quiz foi os nossos votos. Muitos votaram nele e agora estão contra, porque disse que ia baixar a água e agora não estão a fazer nada disso”, diz Maria Isabel que alerta para o sistema antigo de “chamar uma cisterna para limpar as fossas” e que poderá voltar pois “as pessoas não têm consciência e quem manda não chama a atenção”.
Autarca promete novidades para breve
Miguel Costa Gomes, presidente da Câmara Municipal de Barcelos diz que “há uma desinformação enorme” e que o que está feito é a “suspensão de subsídios que a Câmara deu, porque está a negociar o contrato”. O autarca entende que “não faz sentido estar a pagar uma coisa que está em negociação”, além disso esclarece que se está a trabalhar “numa velocidade cruzeiro para em breve serem apresentadas novidades”. Aos barcelenses, o presidente da autarquia fala em trabalho “afinco” e diz mais uma vez que “este contrato não é benéfico para os barcelenses e a finalidade é colmatar com o que se prometeu em campanha eleitoral”. Conclui que está “tudo a caminhar nesse sentido”. Contactamos também a Águas de Barcelos que não se querendo pronunciar sobre o processo de negociação com a Câmara Municipal de Barcelos esclarece que este aumento de preço do serviço de limpeza de fossas surge na sequência da deliberação do executivo barcelense, já que o valor exercido se enquadra no tarifário existente, mas que antes era comparticipado pela autarquia de acordo com o protocolo estabelecido. Deixando a Câmara de comparticipar, a AdB cobra-o ao munícipe de acordo com o tarifário em vigor.